Tá ligado?

É claro que eu não teria capacidade de redigir um texto tão rico de linguagem popular, então repasso na íntegra, tá ligado?

ESSELENTÍCIMO MANO RESPONSÁVEL DA JUSTIÇA AQUI DA ÁREA


Eu, Vandergleisson Olímpio dos Santos, póde ser mano Vander nas
intimação (é como meus truta me chama, tá ligado?), se fazendo
representar pelo meu chegado, Dr. Mano Clayton, adêva dos bom e
estelionatário da hora, venho perante Vossa Magnitude interpor
CAUTELAR INOMINADA c/c PEDIDO ELIMINAR Contra a polícia que invadiu o
Bingo. Certo?


    DO MÉRITO

Bom, caso que o pobrema é dois, perfeito? Eu se encontrava divertindo-me
no Bingo do Bolacha. Tava ali bem belo, faceiro, quando derrepente entra
os gambé tudo armado, e aí magnata... aí a casa caiu, né.... Maluco,
tinha que vê! Não quiseram nem levá um léro.
Reçalta-se que até tentei puchá uma conversa, na humildade, mas nada. Aí
engrossaram e eu falei: "não embassa, doido! Não tá vendo que eu tô aqui
me divertindo, mano?



Escrito por José de Arimatéia às 22h48
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Cês entram como querem na bagaça, sem bater, e zoa com o barato todo aí,
dos meu?" Mas não adiantou nada. Chegaram passando geral, levando tudo.
Foi as máquina de fliper, foi caça-nikeu, e o pior: foi tudo as
cautela!!!! E é aí queu chego nos finalmente. Só entrei com esta ação
cautelar, por um motivo: eu quero minha cautela de vorta!

Ah, fala sério! Manos vacilão, pá e tal. Faz 12 ano que eu jogo no Bingo
do Bolacha e nunca ganhei nem caneta de vale brinde. Aí no dia que fecho
os baguio ali, eu gritei BINGOOO, entra os gambé e passa geral! Cumé qui
é, mano. Cadê a justiça? Foi eu que comprei a cautela.

E agora? Tá certo queu meio que assim, se exaltei um pouco umas hora lá
disse pros home: aí, mano, aqui tem pra trocá", "sai quicando que o
barato é meu, maluco!". É, tentei me impor e só levei uns tapaço de mão
aberta. Mas isso não é motivo pra levá meu jogo (e premiado!).



Escrito por José de Arimatéia às 22h47
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DOS PEDIDO

 

Assim, dessa forma e posto isso, só venho pedir de vorta minha cautela
premiada que é preu buscá o prêmio lá co Bolacha. Pô, na miúda, só entre
a gente, magnata: adianta o lado aí, sem ouví os gambé (esnaudita
aultera party s). É porque se ficá embassando muito, o Bolacha é capaz
de fugir com a minha grana e sabe cume, como dizia um chegado meu, gente
boa pra cacete (o mano Menudo, o Sr. Conhece?), "camarão que dorme a
onda leva".

Caso Vossa Meritríssima não queira acatar minha eliminar, se digne pelo
meno, a bater um fio pro Lula, pra que ele devorva a grana queu gastei
na cautela, corrigido, e em ficha de fliper. No Space Invaders, de
preferência. Certo?

Então era isso.

Esperando que entenda meus lado,
Pede deferimento.

  p.p Dr. Mano Clayton
    OAB .171.171



Escrito por José de Arimatéia às 22h44
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Lula e os Stones

A primeira vez que tomei conhecimento da existência de Lula foi por volta de 1975. Eu era um jovem metalúrgico no ABC, mais precisamente em São Bernardo do Campo. Tempo de ditadura braba, governo do general alemão Geisel, tremendo linha-dura, censura à imprensa, comunistas ainda morrendo nos porões do DOI-CODI, DOPS, AI-5 em pleno vigor, etc... Por esta época os industriais nacionais e estrangeiros viviam seu eldorado. Não se podia fazer greve, os sindicatos não tinham espaço para defender de fato seus filiados, o que havia era um peleguismo escancarado. No sindicato dos metalúrgicos da cidade de São Paulo, por exemplo, reinava absoluto já por mais de vinte anos um tal de Joaquinzão, amicíssimo dos manda-chuvas da época. Comandava com mão de ferro, diziam que ele entregava pelo menos dois “agitadores” e “subversivos” aos órgãos da repressão antes do almoço todos os dias.

 

Beirava os 55 anos, sua figura lembrava um pouco o Sarney com umas pitadas de Maguila, forme a horrível imagem em sua mente. Um pesadelo, de fato. Usava uns ternos de risca de giz muito em moda na época de Clark Gable, o homem, porém, era cavalo de boca macia, fácil de montar, era só dar-lhe a alfafa adequada, pois não?

 

Bem, contra este baú de relíquias surge no ABC paulista o intrépido bagual Luiz Inácio da Silva (ainda não era Lula). A princípio timidamente, com algumas cartinhas publicadas no jornalzinho do sindicato, reclamando (com todo o respeito aos nossos garbosos governantes militares) de algumas coisinhas que por assim dizer, não iam lá muito bem para os companheiros de classe, sabe?



Escrito por José de Arimatéia às 23h54
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No tal jornalzinho, aparecia a foto de Lula, sem barba, só de bigode na coluna “palavra do presidente”. O carisma ainda era incipiente, mas ele já encarnava ares novos no ranço sindical da época, pelo menos era “autêntico”, torneiro mecânico da Aços Villares, perdeu o famoso dedo num acidente de trabalho, certamente não era pelego. Era de fato um companheiro.

 

Mas não era besta.

 

Fazia lá sua oposiçãozinha comportada junto aos patrões e ao governo e ia levando a vida sem muito esforço, que isso de trabalhar não estava com nada, como se dizia então.

 

E assim foi até que em outubro de 1978 o homem endoidou. Estourou espontaneamente uma greve na fábrica de caminhões Scania, e o sindicato, Lula à frente, saiu peitando todo mundo na defesa das reivindicações dos trabalhadores. O resto da história é por demais conhecida e não preciso ficar aqui repetindo e cansando sua paciência.



Escrito por José de Arimatéia às 23h53
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O que quero abordar são alguns pequenos fatos que tive a oportunidade de presenciar. Como eu dizia, Lula rapidamente virou um ídolo, só falávamos no cara, de sua coragem, de sua ousadia em enfrentar a ditadura, ainda mais depois que o AI-5 caiu, e após a saída do alemão e a entrada do Figueiredo com sua proposta de redemocratização, anistia, pluripartidarismo, parecia que um tsunami democrático invadia a nação. E quem lá "envinha" surfando no alto da onda? Ele mesmo, o carcará destemido, Luiz Inácio da Silva, o Lula, defensor dos fracos e oprimidos, cabra da peste, retirante nordestino acostumado a privações, macho de três culhões que desconhecia o medo, ora, pois. Quando ele conseguia brecha para fazer seus discursos, eram momentos memoráveis. Sua voz, hoje amplamente conhecida reverberava nos microfones, desancando os patrões e o governo, insuflava os trabalhadores num tom messiânico, elevando os ânimos quase a um êxtase. Ele era bom nisso, acredite.

 

Como era proibido fazer greves e ainda vivíamos o AI-5 em outubro de 1978, a polícia caiu de pau em cima dos sindicalistas, dispersando na porrada os piquetes, tentativas de assembléias, passeatas e qualquer tipo de manifestação pública e ainda ameaçando prender os líderes do movimento por infringirem a Lei de Segurança Nacional. São Bernardo estava um caos. A gente saia do trabalho à tarde e volta e meia encontrava comandos da PM parando os carros, e mais de uma vez tive que alterar meu trajeto por causa do gás lacrimogêneo ainda pairando em determinados pontos onde houvera um conflito recente.



Escrito por José de Arimatéia às 23h52
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O fato é que os grevistas eram heróis. A Scania ameaçou demiti-los, não pagar seus salários, denunciá-los aos órgãos de segurança, faziam todo tipo de pressão na tentativa de enfraquecer o movimento. E a peãozada, firme, segurava a terrível bronca. Os dias passavam e a situação dos grevistas começava a ficar difícil, o dinheiro acabando, os salários retidos e nada de solução.

 

Para os de menores salários a coisa começou a se complicar a ponto de faltar comida em casa. Rumores de crianças passando fome, gente vendendo seus bens para comprar alimentos. Nas demais empresas onde não estavam ocorrendo greves, os sentimentos de indignação e solidariedade aumentavam na mesma proporção. Circulavam boletins clandestinos emitidos pelo sindicato, que àquela altura tinha status divino perante os trabalhadores. Líamos com avidez as notícias, embora a empresa formalmente houvesse determinado que tais publicações não deveriam circular, sob pena de sanções legais. Tal era o clima na ocasião.

 

Entretanto, o sindicato liderou um movimento emergencial para ajudar os companheiros grevistas em suas dificuldades. A igreja matriz de São Bernardo cedeu espaço para que doações de alimentos, remédios e mesmo dinheiro, fossem feitas e centralizadas naquele local. Em seguida o produto das arrecadações voluntárias seria distribuído entre os grevistas.



Escrito por José de Arimatéia às 23h51
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Excitadíssimo, um grupo de cinco colegas, todos jovens na casa dos vinte e poucos (muito poucos) anos, eu incluso, resolveu colaborar com a iniciativa. Compramos tantas caixas de leite em pó Ninho quantas podiam caber no porta-malas do meu Chevette e combinamos levá-las na igreja após o expediente. Assim foi feito e eu mal podia esperar para ver-me face a face com o famoso líder metalúrgico, pois diziam que ele aparecia por lá à noite, após as batalhas diárias.

 

Chegamos por volta das 21h e o local estava elétrico, respirava-se um ar de democracia, parecia que o mundo acabava de ser reinventado e este Brasil grande e potente ia mostrar a sua cara. Logo que estacionamos, vários companheiros acercaram-se do carro e começaram a nos ajudar a descarregar o leite em pó, levando as caixas para o salão paroquial que ficava atrás da igreja. Havia apreensão nos olhares daqueles operários, mas também um quê de desafio, uma certa pose de poder, de “metalúrgico unido, jamais será vencido”, uma atitude de confiança, e então vi Lula.



Escrito por José de Arimatéia às 23h51
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Digo sem receio que se a primeira impressão é a que fica, aquela não ficou bem. Na parte mais ao fundo do salão, sentado a uma mesa com outros membros do sindicato, tomando cachaça e comendo coxinhas lá estava o todo-poderoso líder daquela guerra. E não estava nada sóbrio, aliás, estava bem embriagado. Falando alto, gesticulando e achando a maior graça em algum dito pitoresco que havia sido contado ali, ele parecia estar se divertindo muito. Não sei se tal comportamento estava adequado ao momento sério porque passavam as famílias dos grevistas necessitados. Entreolhamo-nos e decidimos que não seria preciso levar nosso apoio explícito até ele. O gesto da entrega do leite já estava de bom tamanho. Mas o que ficou gravado na retina foi o contraste pelo menos aparente, entre a crítica situação vivida na região e a total descontração daquele grupo de pinguços. Enfim...

 

Anos mais tarde em 1984, quando nasceu minha filha ainda em São Bernardo, resvalei em Lula pela segunda vez. Foi justamente no berçário da maternidade por volta das 10h da manhã de um dia útil qualquer. Eu estava lá corujando minha nenê novinha em folha, e eis que começa um certo alvoroço na entrada do dito berçário. Quem surge ladeado por dois puxa-sacos? Ele mesmo. Foi entrando com um sorriso largo, cumprimentando quem estava por ali, inclusive eu, muito simpático. Estava visitando um recém-nascido de um amigo seu. Mas acredite, quando passou por mim senti um indistinto e forte cheiro de bebida alcoólica!



Escrito por José de Arimatéia às 23h50
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Nunca mais estive perto de Sua Excelência depois disso. Ainda ouvi, porém, um terceiro testemunho da etílica preferência do moço mais recentemente. Estava eu na piscina do condomínio de um amigo numa praia do litoral norte de São Paulo, a qual não vou revelar o nome por razões óbvias de segurança. Debaixo do guarda-sol conversávamos, meu amigo, eu e um senhor já idoso, sobre aquele episódio do jornalista americano que o presidente quis expulsar do Brasil porque o sujeito tinha declarado em uma reportagem que Lula bebia além da conta.

 

E não é que o cavalheiro que estava conosco disse: “Bebe sim e muito e sempre bem acompanhado por sua esposa, que é tão boa de copo quanto ele”. “Como assim?” Indagamos a uma só voz.

 

Ai o velho contou que tinha uma casa na praia, vizinha de uma outra pertencente a um figurão da high society. O referido nobre costumava receber o primeiro casal da república com freqüência nessa bela residência, mesmo antes de eles se tornarem o primeiro casal.



Escrito por José de Arimatéia às 23h49
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O que ocorria ali era digno da melhor vídeo-cassetada do Faustão. Consta que o casal, o anfitrião e demais convivas, em alegres churrascos de confraternização, bebiam de rolar na grama e na quadra de areia existente na tal casa. Depois tomavam banho de mangueira para recobrar um mínimo de decência e domínio das ações, e então, trançando as pernas, ia todo mundo dormir. Não sei se é verdade ou não, mas o homem que relatou é um sujeito sério, não iria inventar um deboche desses, penso eu.

 

Bem, eu contei essas coisas todas porque me lembrei de uma passagem num programa sobre a história dos Rolling Stones. Brian Jones, morto prematuramente, afogado em sua própria piscina, por overdose foi a cabeça pensante da banda desde seus primórdios até sua morte. Multi-instrumentista brilhante, são dele arranjos antológicos dos principais hits dos Stones da época.

 

As apresentações da banda causavam um frisson incontrolável nas mocinhas e elas literalmente atacavam os membros do grupo, rasgando suas roupas, beijando e abraçando os caras, que via de regra tinham que fugir escoltados pela polícia.



Escrito por José de Arimatéia às 23h49
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Certa vez após uma dessas peripécias, Brian Jones teve um acesso de riso e não conseguia parar (também devia estar drogado, é óbvio). Quando conseguiu se controlar explicou: “Como é que essas garotas podem ficar loucas por Mick Jagger? Se elas o vissem no banheiro pouco antes de entrar no palco, conheceriam o verdadeiro Mick e não se atirariam sobre ele desse jeito”.

 

As pessoas vêem o que querem ver e não o que deve ser visto de fato. Brian tinha razão: Mick é apenas um homem, mas que talento! E Lula é apenas um homem, mas que desapontamento. Um está na estrada há mais de quarenta anos e ainda encanta seus netinhos. Outro está no poder há três anos e não engana mais nem os marrecos da Granja do Torto. Só engana o admirável gado novo que continua querendo ser enganado. É só olhar as pesquisas do IBOPE. Olha o homem lá de novo. Acho que vou me mudar para o Iraque. Lá pelo menos o Saddam está preso.



Escrito por José de Arimatéia às 23h48
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O poder da fé

Vamos chamá-la de Estela. O nome é fictício, a história não. Nem feia, nem bonita, sem atrativos especiais. Sentia-se como alguém que poderia ainda chamar a atenção mais por curiosidade do que por seus dotes físicos. Há muito já tinha ultrapassado o ponto em que as mulheres podem literalmente enlouquecer um homem, se é que alguma vez na vida tivesse tido esta capacidade. Poucos amores, algumas desilusões, um namorado que queria casar e ela não; outro que ela queria para marido e ele não. Vai daqui, vai dali, chegou a um ponto em que a solidão bateu forte e ela precisava preencher o vazio de alguma maneira.

 

Mulher séria, não se prestando a vulgaridades e baixarias, ainda mais agora na casa dos quarenta com o pai idoso e viúvo precisando de seu apoio... Não deixaria de se dar ao respeito. Mas como sentia falta de um parceiro! Um companheiro, alguém para compartilhar sua vida, seus medos, angústias, alegrias e, é claro, sua cama.

 

Mercado difícil para ela. Chegou a colocar anúncios em revistas especializadas, sites de relacionamento da internet, mas tudo o que obteve como resposta foram propostas indecorosas ou idiotas de sujeitos que só pensavam em sexo. “Esses caras só pensam com a cabeça do pau, meu Deus! OK, também gosto, mas a vida não é só isso.”



Escrito por José de Arimatéia às 01h02
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Por falar em Deus, Estela começou a cogitar da possibilidade de encontrar respostas na religião. Não que fosse religiosa, longe disso, fora batizada na Igreja Católica, mas era omissa quanto a praticá-la, nem na missa ia. Andou perambulando, por assim dizer, por algumas igrejas e templos variados de variadas seitas e religiões.

 

Achou algumas interessantes, outras francamente comerciais, com frases tipo: “Jesus é gracinha, então dê dinheiro para construirmos um templo maior para esta belezinha de Jesus”, ou aconselhamentos profundamente “religiosos”, como: “Você usa camiseta de propaganda de candidato a deputado da última eleição dois números acima do seu para dormir, enche a cara de creme, diz para seu amorzinho para fazer depressinha porque está com sono, cansada ou com dor-de-cabeça e depois não sabe a razão de ele tê-la traído? Minha cara fiel, não é assim que se faz. Jesus não gosta, sua tolinha, você tem que cativar seu amor”, e outras que-tais. Achou uma pouca-vergonha.



Escrito por José de Arimatéia às 01h02
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Em outros recintos de adoração deparou-se também com situações que beiravam a mais pura loucura, onde habitavam indivíduos furibundos fazendo discursos desconexos e em altos brados, praticamente chamando Jesus para a briga contra os fariseus, idólatras, apóstatas, falsos profetas, filhos de satanás e daí para cima. Teve um sujeito inclusive, que no auge da gritaria entrou numa espécie de transe, começou a espumar pela boca, revirou os olhos e caiu espalhafatosamente do alto do palco em cima dos fiéis. Foi um deus-nos-acuda. Sentiu-se num hospício.

 

Mas Jesus entrou para valer na sua vida, quando ela menos esperava.  Num sábado qualquer, durante mais uma de suas peregrinações passeando aleatoriamente de carro pelas ruas de sua cidade, avistou um edifício que lhe chamou a atenção. Parou o carro e desceu para ver melhor. Templo enorme, suntuoso, como nunca vira igual. Detalhista, prestou mais atenção aos símbolos desenhados, não entendeu, mas achou de muito bom gosto. Espiou para dentro da construção e percebeu que havia uma fila enorme iniciando-se lá na frente e chegando quase às portas do templo. Ficou intrigada.

 

Juntou-se ao povo dali sem saber o que iria encontrar. À medida que a fila se movimentava, ela logrou discernir um som calmo que dominava o ambiente. “Harpas!” Eram harpas tocando lindamente, era um som divino e repousante que parecia envolver a todos ali. Então notou que havia alguém falando num tom calmo e convidativo, dizendo mais ou menos assim:



Escrito por José de Arimatéia às 01h01
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